Morgado é mau humorado. E o mau humor funciona exatamente como a alegria: melhor quando você divide com alguém. Hoje ele me ligou. Tudo porque passou pela banca de revistas. A seguir, o nosso diálogo telefônico. Na verdade, praticamente um monólogo.
- Alô?
- Morgado?
- Ta perguntando porque, se o meu nome apareceu no identificador do seu celular?
- Mania
- Sabe porque eu to te ligando?
- Não
- Porque eu gosto de você. Você não é Maria vai com as outras, como a maioria desses debilóides por aí.
- Obrigado
- Por exemplo, você não gosta da Veja, gosta?
- Não sou muito fã, não.
- Por isso eu gosto de você. Ja falei isso?
- Já
- Rapaz, você viu a capa da Veja desta semana? O Serra. A porcaria do Pasquin não se apruma, não é? Aliás, deixa eu ser justo com o Pasquin, que foi um bastião a favor da liberdade num dos momentos mas negros da nossa história. O jornal não merece uma ofensa como essa. Ser comparada a uma revista que faz tudo menos bom jornalismo. Corrijo: menos jornalismo. Escuta , se eles apoiam o pústula do José Serra - um sujeito que faz campanha pra prefeito, foi eleito e em dois anos de mandato para o qual lutou e fez promessas larga tudo para concorrer a um cargo maior -que o faça com coragem e não subrepticiamente…existe essa palabra enquanto advérvio?...foda-se. Voltando, que apóie esse oportunista no seu editorial. Eu não posso com esse apoio travestido de fatos. Eu fico com bortoejas e urticearias quando me deparo com isso. Você percebe também, não percebe?
- É eu entendo.
- É por isso que eu gosto de você. Enfim, eu quero dexiar claro que não apóio canditado nenhum. Eles todos adoram nos escorchar com taxas e impostos, logo, que ardam todos no fogo do inferno. Mas essa revistinha é o maior desperdício de papel que eu ja vi. Quanta árvore derrubada em vão, meu Deus. Pra dar apoio ao Serra, desencavam fatos antigos e transformam em novidade. Igual a minha mãe, que pega a linguiça que sobrou do currasco de domingo coeta em rodelas, faz um molhinho com cebola e serve na terça. A vantagem da linguiça é que fica uma maravilha, é muito mais útil do que o Serra como presidente. Aliás, na tal reportagem, o Serra me vem com essa maravilha: "eu me preparei a vida toda pra ser presidente". Isso me dá calafrios. A vida toda? É um maníaco compulsivo. Quando chegar lá, além de fazer as asneiras que faz no estado em que governa, não vai querer sair. E o Civita apóia. É da turma. Abre o olho, hein?
- Ja falei que não leio muito a revista.
- Por isso gosto de você. Aliás, na mesma edição, voltam a meter pau do Duda Mendonça. Colocaram lá que agora ele cobra 12 milhões pra fazer campanha. Mas vejam só, que coisa. Por que eles não colocam lá quanto a Veja fatura com propaganda em cada edição? Pois eu te digo que é capaz de superar os 12 milhões que o baiano cobra. A propósito, fico me perguntando: por que a Veja pega tanto no pé do Duda Mendnça? Pois nem se preocupe em responder. Eu já sei. O Duda Mendoça ja conseguiu eleger muito mais gente com seu trabalho do que a Veja com seu apoio disfarçado em artigos e matérias. É ciúme. O mais deslavado dos ciúmes. Mas você não assina a Veja, assina?
- Ja falei que não. Nem leio muito.
- Eu sabia. É por isso que eu gosto de você.o do Morgado Muito mau humorado,adosquando me deparo com isso. re. Ele Mendoça ja conseuiu eleger muito mais gente com seu trab
E desligou o telefone sem nem mesmo se despedir. Como sempre. Ele é assim. Muito mau humorado.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Palavras que eu gostaria de matar
O post de hoje foi escrito por um convidado especial, o meu grande amigo Morgado, o mau humorado. Espero que apreciem.
"Porque diabos a imensa maioria dos seres humanos mais parecem papagaios com cérebro debilitado que repetem tudo que alguém supostamente mais "descolado" lhes impoem sem antes se perguntarem o porquê? A imensa maioria da massa ignara e da não tão ignara assim está usando palavras irritantes e desvirtuando o bom andamento do português coloquial simplesmente porque elas estão "na moda".
Comecemos pelo nosso esporte nacional. No futebol, de uns tempos pra cá, passamos a usar a palavra assistência para designar aquilo que sempre chamamos de passe que deixou o centroavante na cara do gol, ou simplesmente, passe. Alguém tentar nos impingir uma palavra importada do basquete americano ja é de fazer Aurélio Buarque se revirar no túmulo. Agora, a tal palavra pegar é motivo de condenação a prisão perpétua sem direito a visita. Assistência o caralho. É passe, sempre foi passe. Ja não chega perdermos nossos craques para os europeus, agora vamos perdendo nossas palavras para os americanos? Assistência pra definir passe eu mataria a tiros.
Continuemos no futebol. Não satisfeitos com o uso constante da assistência e o consequente sepultamento do passe, ja começo a ver um movimento novo em direção à macaquice linguística. Os jogos de ida e volta das copas, como a Copa do Brasil, estão virando "pernas". A definição é inglesa: "first leg e seccond leg". Mas alguns jornalistas brasileiros mais "moderninhos" ja estão adotando "primeira perna e segunda perna" ao invés do clássico jogo de ida e jogo de volta. Mas nesse caso ainda há salvação. Por favor, você que me lê neste pretigiado blog: resita. Perna é perna, membro inferior encontrado aos pares na maioria dos casos. No Brasil, temos excelentes exemplos de pernas que merecem culto, como as da Juliana Paes, da Ivete Sangalo e…bem a lista é longa. Pernas, pra definir jogo de ida e de volta, eu mataria de uma forma temática: as chutes.
No mundo corporativo então, as palavras que eu gostaria de matar encontram terreno fértil. Aliás, se puedesse mataria não só as palavras como os deboilóides que as repetem em qualquer situação. Tem palavra mais idiota e imbecil do que escopo? Pois é. Escopo, que parece nome de matemático grego, é a palavrinha carimbada nas salas de reuniões. Quer outra que é repetida sem parar? Desafio. Desafio e escopo eu não só mataria como torturaria antes. Elas são um jeito metido de dar uma noticia ruim. "Nós temos um desafio" poderia ser traduzido leteralmente para "eu vou fuder vocês, inclusive no final de semana". "Sua idéia é interessante, mas não tem aderência ao escopo do projeto", pode sertraduzida como "Se eu contar essa sua idéia, que é incrível, você provavelmente vai tomar o meu lugar" Desafio eu jogaria nos trilhos do metrô. Escopo eu mataria a facadas. Umas setenta e duas facadas
E sinergia? Sério, sinergia eu mataria com as minhas próprias mãos. E os funcionários, que agora, nesta sanha politiciamente correta, viraram "colaboradores"? Quem colabora comigo, faz porque quer. Logo, não preciso lhe pagar salário, nem férias nem hora extra. Eu não quero colaborar com ninguém, eu quero ganhar pra trabalhar, ora bolas. Colaboradores é uma palavra que eu jogaria da boca de um vulcão em atividade. Morreria envenenada pelo enxofre e quimada ao mesmo tempo. Merece morrer mais de uma vez essa coisa.
Eu vou parar por aqui, pedindo a você, vigilante do bom e coloquial português, para não esmorecer. Se não tiver nem arma de fogo, nem arma branca, mate a desgraçada com as próprias mãos ou de um jeito criativo. Sempre tem uma frigideira por perto para você bater sem parar num escopo da vida."
"Porque diabos a imensa maioria dos seres humanos mais parecem papagaios com cérebro debilitado que repetem tudo que alguém supostamente mais "descolado" lhes impoem sem antes se perguntarem o porquê? A imensa maioria da massa ignara e da não tão ignara assim está usando palavras irritantes e desvirtuando o bom andamento do português coloquial simplesmente porque elas estão "na moda".
Comecemos pelo nosso esporte nacional. No futebol, de uns tempos pra cá, passamos a usar a palavra assistência para designar aquilo que sempre chamamos de passe que deixou o centroavante na cara do gol, ou simplesmente, passe. Alguém tentar nos impingir uma palavra importada do basquete americano ja é de fazer Aurélio Buarque se revirar no túmulo. Agora, a tal palavra pegar é motivo de condenação a prisão perpétua sem direito a visita. Assistência o caralho. É passe, sempre foi passe. Ja não chega perdermos nossos craques para os europeus, agora vamos perdendo nossas palavras para os americanos? Assistência pra definir passe eu mataria a tiros.
Continuemos no futebol. Não satisfeitos com o uso constante da assistência e o consequente sepultamento do passe, ja começo a ver um movimento novo em direção à macaquice linguística. Os jogos de ida e volta das copas, como a Copa do Brasil, estão virando "pernas". A definição é inglesa: "first leg e seccond leg". Mas alguns jornalistas brasileiros mais "moderninhos" ja estão adotando "primeira perna e segunda perna" ao invés do clássico jogo de ida e jogo de volta. Mas nesse caso ainda há salvação. Por favor, você que me lê neste pretigiado blog: resita. Perna é perna, membro inferior encontrado aos pares na maioria dos casos. No Brasil, temos excelentes exemplos de pernas que merecem culto, como as da Juliana Paes, da Ivete Sangalo e…bem a lista é longa. Pernas, pra definir jogo de ida e de volta, eu mataria de uma forma temática: as chutes.
No mundo corporativo então, as palavras que eu gostaria de matar encontram terreno fértil. Aliás, se puedesse mataria não só as palavras como os deboilóides que as repetem em qualquer situação. Tem palavra mais idiota e imbecil do que escopo? Pois é. Escopo, que parece nome de matemático grego, é a palavrinha carimbada nas salas de reuniões. Quer outra que é repetida sem parar? Desafio. Desafio e escopo eu não só mataria como torturaria antes. Elas são um jeito metido de dar uma noticia ruim. "Nós temos um desafio" poderia ser traduzido leteralmente para "eu vou fuder vocês, inclusive no final de semana". "Sua idéia é interessante, mas não tem aderência ao escopo do projeto", pode sertraduzida como "Se eu contar essa sua idéia, que é incrível, você provavelmente vai tomar o meu lugar" Desafio eu jogaria nos trilhos do metrô. Escopo eu mataria a facadas. Umas setenta e duas facadas
E sinergia? Sério, sinergia eu mataria com as minhas próprias mãos. E os funcionários, que agora, nesta sanha politiciamente correta, viraram "colaboradores"? Quem colabora comigo, faz porque quer. Logo, não preciso lhe pagar salário, nem férias nem hora extra. Eu não quero colaborar com ninguém, eu quero ganhar pra trabalhar, ora bolas. Colaboradores é uma palavra que eu jogaria da boca de um vulcão em atividade. Morreria envenenada pelo enxofre e quimada ao mesmo tempo. Merece morrer mais de uma vez essa coisa.
Eu vou parar por aqui, pedindo a você, vigilante do bom e coloquial português, para não esmorecer. Se não tiver nem arma de fogo, nem arma branca, mate a desgraçada com as próprias mãos ou de um jeito criativo. Sempre tem uma frigideira por perto para você bater sem parar num escopo da vida."
domingo, 11 de abril de 2010
Dez mil metros de altura
Eis-me aqui, na poltrona 31C, corredor, no voo 120 da Delta Airlines com destino a Nova Iorque. Acabamos de passar por uma turbulência. Tenho plena consciência que não foi das mais severas, mas para um fóbico aéreo recalcitrante é sempre uma coisa que beira o apavorante. O que ocorre de especial neste vôo é que resolvi fazer uma auto-análise de campo em tempo real.
O meu homeopata uma vez perguntou do que exatamente eu tinha medo, o real motivo de eu sentir formigamento no saco, frio na barriga, boca seca e uma vontade louca de dar um berro quando as portas da aeronave de fechavam. Após a minha resposta meio rebuscada ele concluiu simpeslmente "bem, você tem medo de morrer". Não era isso que a minha resposta rebuscada merecia como conclusão, mas enfim, ele é o doutor e eu o paciente.
Mas se ele estivesse na poltrona 120 D, agora, e fizesse a mesma pergunta, a minha resposta seria bem diferente. Talvez nem medo seja, mas a sensação de completa impotência, de dependência. Aqui em cima, estou nas mãos de uma fila de gente, menos nas minhas. Nas mãos dos projetistas da aeronave, dos construtores, dos mecâncios, do piloto e do co-piloto, dos acionistas da companhia aérea (vai que eles são sovinas e resolvem ganhar as custas da revisão das peças?) e, para os religiosos mais fervorosos, turma que , a esta hora e a esta altura eu também me incluo, estou nas mãos de Deus. Este é o meu torturante ciclo de dependência.
Estar nas mãos de outrém me faz sentir como se eu fosse de papel, sabe? O vento sopra levando você pra lá e pra cá, a esmo. O papel não decide nem o que escrevem sobre ele. Não tem a menor ingerência sobre ele ser parte de uma obra-prima da ou um desastre completo da literatura. É fino e frágil. É assim que me sinto neste exato momento, doutor. Uma folha de papel conduzida por algo tão grande, que nem consigo enxergar o que é. São dez e trinta. Ou seja, serei uma folha de papel por mais oito horas e 43 minutos. Ah, que saudade do caderno do qual me arrancaram.
-x-
Eu não sei se acontece com vocês, mas comigo é comum. Quando morre alguém que você acha muito chato e todos prestam homenagens ao falecido, eu me sinto um pústula. Um ser a margem dos sentimentos humanos mais nobres. Estou vivendo exatamente um destes momentos. Sempre achei o Armando Nogueira um dos bípedes mais chatos que ja andaram por este planeta. Meus contatos com o jornalista em questão se resumiram em grande parte a programas esportivos na televisão. Achava-o, além de chato, um dos maiores representantes da turma que tinha como lema nunca escritgo "for a de Rio e São Paulo não há salvação".
Por isso, nunca me interessei por nada que ele escreveu. Cruzei uma vez com uma de suas crônicas meio que por acaso. Acho que foi no Jornal Nacional. O tema da tal crônica, que leram com pompa e circunstância no ar para todo Brasil, foi o doping do Ben Johnson na Olimpíada de…sei la, esqueci. Era uma apologia ao politicamente correto. As frases começavam sempre com "O que é isso, negão?". Hoje, o "negão" do texto não seria visto como politicamento correto e provaelmente ele seria chamado a dar explicações aos insuportáveis bons moços de plantão que pululam o nosso mundo nos dias de hoje. Ou, mais provável, escreveria: o que é isso, afro-descendente?
Houve um outro episódio, lembro-me bem. Estava ele, num programa de televisão junto com Luis Fernando Veríssimo. Em dado momento do programa, ele pergunta ao escritor gaúcho se era verdade que o mesmo tinha uma facilidade de decorar a escalações de times antigos. Notório botafoguense, Armando pediu para
Veríssimo escalar o Botafogo de alguma década distante. Veríssimo disse, "prefiro escalar o Internacionai de quarenta e poucos" – o único defeito do Veríssimo que eu saiba, é justamente torcer para esse time. O chato do Armando, que para ficar ainda mais chato, é daqueles que fica tocando no seu interlocutor toda vez que fala, insistiu e Veríssimo fincou pé. E não escalou o querido Botafogo. Essa foi uma das duas ou três vezes que eu torci por um colorado em toda a minha vida.
Mas voltemos a minha culpa. Estou aqui me remoendo em culpa, enquanto todos homenageiam "o mesmtre". Sou um crápula, bandido, um insensível, um criminoso. E eis que, em uma dssas tantas homenagens ao falecido, alguém publica uma crônica do falecido após a vitória do Brasil sobre a Itália em 1970. E não é que o tal texto do Armando é de fino trato? Fui dar uma olhada em outros e o cara tem frases realmente brilhantes. "A bola é uma flor com cheiro de gol nos pés de Zico". Baita frase. É um jeito lindo de se dizer uma verdade. Po, Armando, você não podia ser tímido e pouco falante como o Veríssimo, que você tanto encheu para que escalasse o seu Botafogo? Fosse assim não estaria me sentindo este crápula irrecuperável.
O meu homeopata uma vez perguntou do que exatamente eu tinha medo, o real motivo de eu sentir formigamento no saco, frio na barriga, boca seca e uma vontade louca de dar um berro quando as portas da aeronave de fechavam. Após a minha resposta meio rebuscada ele concluiu simpeslmente "bem, você tem medo de morrer". Não era isso que a minha resposta rebuscada merecia como conclusão, mas enfim, ele é o doutor e eu o paciente.
Mas se ele estivesse na poltrona 120 D, agora, e fizesse a mesma pergunta, a minha resposta seria bem diferente. Talvez nem medo seja, mas a sensação de completa impotência, de dependência. Aqui em cima, estou nas mãos de uma fila de gente, menos nas minhas. Nas mãos dos projetistas da aeronave, dos construtores, dos mecâncios, do piloto e do co-piloto, dos acionistas da companhia aérea (vai que eles são sovinas e resolvem ganhar as custas da revisão das peças?) e, para os religiosos mais fervorosos, turma que , a esta hora e a esta altura eu também me incluo, estou nas mãos de Deus. Este é o meu torturante ciclo de dependência.
Estar nas mãos de outrém me faz sentir como se eu fosse de papel, sabe? O vento sopra levando você pra lá e pra cá, a esmo. O papel não decide nem o que escrevem sobre ele. Não tem a menor ingerência sobre ele ser parte de uma obra-prima da ou um desastre completo da literatura. É fino e frágil. É assim que me sinto neste exato momento, doutor. Uma folha de papel conduzida por algo tão grande, que nem consigo enxergar o que é. São dez e trinta. Ou seja, serei uma folha de papel por mais oito horas e 43 minutos. Ah, que saudade do caderno do qual me arrancaram.
-x-
Eu não sei se acontece com vocês, mas comigo é comum. Quando morre alguém que você acha muito chato e todos prestam homenagens ao falecido, eu me sinto um pústula. Um ser a margem dos sentimentos humanos mais nobres. Estou vivendo exatamente um destes momentos. Sempre achei o Armando Nogueira um dos bípedes mais chatos que ja andaram por este planeta. Meus contatos com o jornalista em questão se resumiram em grande parte a programas esportivos na televisão. Achava-o, além de chato, um dos maiores representantes da turma que tinha como lema nunca escritgo "for a de Rio e São Paulo não há salvação".
Por isso, nunca me interessei por nada que ele escreveu. Cruzei uma vez com uma de suas crônicas meio que por acaso. Acho que foi no Jornal Nacional. O tema da tal crônica, que leram com pompa e circunstância no ar para todo Brasil, foi o doping do Ben Johnson na Olimpíada de…sei la, esqueci. Era uma apologia ao politicamente correto. As frases começavam sempre com "O que é isso, negão?". Hoje, o "negão" do texto não seria visto como politicamento correto e provaelmente ele seria chamado a dar explicações aos insuportáveis bons moços de plantão que pululam o nosso mundo nos dias de hoje. Ou, mais provável, escreveria: o que é isso, afro-descendente?
Houve um outro episódio, lembro-me bem. Estava ele, num programa de televisão junto com Luis Fernando Veríssimo. Em dado momento do programa, ele pergunta ao escritor gaúcho se era verdade que o mesmo tinha uma facilidade de decorar a escalações de times antigos. Notório botafoguense, Armando pediu para
Veríssimo escalar o Botafogo de alguma década distante. Veríssimo disse, "prefiro escalar o Internacionai de quarenta e poucos" – o único defeito do Veríssimo que eu saiba, é justamente torcer para esse time. O chato do Armando, que para ficar ainda mais chato, é daqueles que fica tocando no seu interlocutor toda vez que fala, insistiu e Veríssimo fincou pé. E não escalou o querido Botafogo. Essa foi uma das duas ou três vezes que eu torci por um colorado em toda a minha vida.
Mas voltemos a minha culpa. Estou aqui me remoendo em culpa, enquanto todos homenageiam "o mesmtre". Sou um crápula, bandido, um insensível, um criminoso. E eis que, em uma dssas tantas homenagens ao falecido, alguém publica uma crônica do falecido após a vitória do Brasil sobre a Itália em 1970. E não é que o tal texto do Armando é de fino trato? Fui dar uma olhada em outros e o cara tem frases realmente brilhantes. "A bola é uma flor com cheiro de gol nos pés de Zico". Baita frase. É um jeito lindo de se dizer uma verdade. Po, Armando, você não podia ser tímido e pouco falante como o Veríssimo, que você tanto encheu para que escalasse o seu Botafogo? Fosse assim não estaria me sentindo este crápula irrecuperável.
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